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Predador: Terras Selvagens (2025)

Um caminho pelas terras da ficção científica

 

A franquia Predador, iniciada em 1987, caracteriza-se por uma busca contínua de reinvenção ao longo de sua trajetória. Desde que Arnold Schwarzenegger interpretou o protagonista original, responsável por sobreviver à caçada dos yautja – raça que, à época, ainda não possuía designação formal, diversas tentativas de reformulação foram implementadas, ora na ambientação, ora na aproximação com outras franquias. O cenário clássico da franquia, a floresta densa e inóspita, foi substituído em Predador II (1990) por uma metrópole, proposta que gerou opiniões diversas. Duas décadas mais tarde, Predadores (2010) retomou o enfoque na ação e na tensão característica da caçada, reafirmando elementos centrais da narrativa original. Paralelamente, a franquia buscou consolidar a ligação com Alien, que até então se manifestava apenas de forma indireta. Essa aproximação tornou-se explícita em Alien vs. Predador (2004) e Alien vs. Predador 2 (2007), produções que, apesar das expectativas elevadas, foram majoritariamente criticadas por não atenderem à antecipação do público em relação ao confronto entre as duas espécies alienígenas. Em 2018, O Predador apresentou nova tentativa de reinvenção, embora tenha sido percebido como um filme genérico e abaixo da média. Apesar do sucesso do filme original dirigido por John McTiernan, a franquia demonstrava instabilidade, com resultados que oscilavam entre acertos pontuais e erros significativos. A perspectiva de mudança efetiva surgiu com Dan Trachtenberg, diretor até então sem experiência em longas-metragens. Em O Predador: A Caçada (2022), Trachtenberg transporta a narrativa para uma tribo indígena, resultando em uma produção surpreendente e bem recebida, tanto pela crítica quanto pelo público.

crítica de Predador: Terras Selvagens (2025)

Em 2025, Trachtenberg retorna com Predador: Assassino de Assassinos, animação histórica que posiciona os yautja em três momentos distintos da história humana: confrontando um viking, um samurai e um piloto de caça. Inicialmente, esperava-se que o diretor mantivesse a abordagem histórica; entretanto, Predador: Terras Selvagens surpreende ao situar a narrativa em um futuro distante, primeiro no planeta natal dos yautja e, posteriormente, em Genna. Pela primeira vez, a narrativa centraliza um yautja como protagonista, dotado de desenvolvimento de personagem e background próprio. Além disso, o terror, tradicionalmente associado à franquia, é totalmente substituído por elementos clássicos de ficção científica.

Em Predador: Terras Selvagens, acompanhamos um jovem yautja, rejeitado por seu clã, em busca de redenção nas selvas de um planeta distante. Em meio à solidão e à caçada, ele encontra na androide Thia (Elle Fanning) uma improvável aliada em busca de seu objetivo.

O filme é repleto de cenas de ação e coreografias, efeitos especiais convincentes, roteiro enxuto e alívios cômicos repentinos. Se as melhores definições do filme remetem a um capítulo do MCU, a explicação para isso talvez seja o maior envolvimento da Disney na franquia, submetendo a produção a uma “Disneyficação”.

Talvez esse seja o grande ponto negativo do filme, a obviedade do roteiro, da forma e dos conteúdos. Infelizmente uma reinvenção tão bem-sucedida está ligada uma empresa que faz uso de uma produção massificada de blockbusters. No entanto, ainda desse contexto, a execução não atrapalhou tanto o resultado final. Predador: Terras Selvagens ainda é um dos melhores filmes da franquia e, com certeza, o surpreendente.


Crítica de Predador: Terras Selvagens (2025) | por: Douglas Esteves Moutinho

 
 

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