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Crítica | Marty Supreme (2025)

  • há 22 horas
  • 2 min de leitura

Muito além do esporte


Marty Supreme (2025) é o mais novo trabalho da ainda curta, porém bastante interessante filmografia de Josh Safdie e chega aos cinemas cercado de grande expectativa. Tal expectativa se deve, em grande parte, aos comentários e avaliações da crítica acerca da atuação de seu protagonista, Timothée Chalamet, bem como ao reconhecimento do filme como um todo, evidenciado pelo alto número de indicações ao Oscar e pelas premiações nas quais, ao longo da temporada, saiu vencedor ou ao menos indicado.

Crítica | Marty Supreme (2025)

Como a grande maioria dos filmes hollywoodianos contemporâneos que merecem destaque, Marty Supreme não se insere em um gênero específico; ao contrário, aposta no hibridismo de gêneros. Nos últimos anos, é possível perceber um acentuado declínio do cinema de gênero, sendo particularmente curioso o papel que a comédia passou a ocupar nesse contexto. É sabido que a comédia tornou-se um gênero problemático, característica atribuída em grande parte às mudanças de valores sociais e às consequências de uma suposta liberdade criativa inerente ao gênero. Diante disso, cineastas passaram a diluir a comédia em pequenas doses distribuídas em filmes de outros gêneros, criando momentos que ficaram conhecidos, de forma vulgar, como “alívios cômicos”.

Crítica | Marty Supreme (2025)

No terror ou na ficção científica contemporânea presentes majoritariamente na forma de filmes baseados em HQs tal artifício rapidamente se saturou devido à padronização de seu uso. Assim, a comédia ou, no mínimo, seus elementos passou a integrar uma espécie de manual do que deve ser evitado na formulação de um “bom cinema”. É nesse cenário que surgem filmes que retomam a comédia de maneira inventiva, não apenas como recurso de descontração, mas como ferramenta dramática que dialoga internamente com a atmosfera da narrativa. O cômico torna-se desconfortável ou absurdo sob uma conotação camusiana, sustentando nuances datrama e do desenvolvimento narrativo que seriam impossíveis sem esses atributos.

Anora, vencedor da última edição do Oscar, apostou em um hibridismo semelhante ao articular de forma magistral drama e comédia, apresentando-se como um genuíno espelho de seu tempo e dialogando inclusive com elementos baumanianos. De maneira análoga, Marty Supreme substitui os elementos sensuais de Anora por elementos esportivos, reafirmando como um filme que mescla comédia e drama pode se tornar um dos favoritos do ano.

Marty Supreme, que à primeira vista pode parecer um simples filme sobre tênis de mesa, supera rapidamente essa impressão já em seus minutos iniciais, deixando claro que o esporte é apenas um dos elementos que compõem as múltiplas camadas estruturais e narrativas da obra. Formalmente, o filme é extremamente competente, destacando-se a montagem dinâmica nas cenas esportivas e nos momentos mais inusitados, a cenografia minuciosaque recria os anos 1950, a filmagem em 35mm outra semelhança com Anora e, sobretudo, a atuação de Timothée Chalamet, que entrega, possivelmente, a melhor performance de sua carreira e consolida-se como o ator mainstream mais promissor da atualidade.


Crítica | Marty Supreme (2025)

 
 

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