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A Empregada (2025)

O Vazio da Forma e o Prazer do Suspense


Para a adaptação cinematográfica do êxito literário homônimo de Freida McFadden, Paul Feig foi o diretor escolhido decisão que encontra respaldo em sua trajetória à frente de narrativas centradas em perspectivas femininas. A Empregada (2025), afinal, estrutura-se precisamente sobre esse eixo, ao explorar dinâmicas de poder e vulnerabilidade no interior do espaço doméstico.


A Empregada (2025) | crítica

A narrativa acompanha Millie, jovem de passado nebuloso que aceita trabalhar na residência do casal Nina e Andrew Winchester. Inserida em um ambiente regido por convenções sociais e aparências cuidadosamente mantidas, ela logo percebe que o cotidiano da casa é atravessado por relações assimétricas, jogos de manipulação e fragilidades emocionais que tensionam a convivência.

Sidney Sweeney, no papel de Millie, entrega uma variação de um tipo já recorrente em sua carreira: a jovem de beleza evidente envolta por uma aura de ingenuidade. Curiosamente, tal atuação de registro genérico revela-se compatível com o próprio filme, sobretudo quando se evidencia que a obra não aspira a um rigor maior nem parece levar a si mesma demasiadamente a sério. Apesar de incoerências narrativas, fragilidades estruturais de roteiro e de um ritmo apressado que por vezes compromete a construção dramática, o filme abraça o absurdo como estratégia, convertendo tais limitações em componentes de um entretenimento direto e funcional.


A Empregada (2025) | crítica

As questões mais problemáticas residem na genericidade formal. Tudo é excessivamente explicativo e a condução narrativa carece de uma consciência autoral mais definida, dando a impressão de um filme pensado menos por um cineasta e mais por uma lógica estritamente utilitária. Ainda assim, nem tudo se perde: a atuação de Amanda Seyfried se destaca positivamente, conferindo alguma densidade a um conjunto que frequentemente se contenta com o superficial.

Em última instância, A Empregada configura-se como uma miscelânea de elementos cinematográficos dispersos que, embora careçam de coesão estética e ambição artística, resultam em uma obra eficaz em seu propósito básico: entreter e sustentar o interesse do espectador até seus momentos finais.


Crítica de A Empregada (2025) | por: Douglas Esteves Moutinho

 
 

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