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Crítica | He Who Made Monsters - The life and art of Jack Pierce (2008)

  • 11 de fev.
  • 3 min de leitura

O pai de monstros


Documentário sobre o Lendário Maquiador Jack Pierce. Um dos pioneiros da maquiagem artística no cinema e pai visual dos Monstros da Universal Studios - Frankenstein, Noiva de Frankenstein, Múmia, Lobisomem - além de ser o responsável indireto pela criação do Coringa, o mais relevante vilão da história da DC Comics, inspirado em seu Gwynplaine - O Homem que ri - no clássico interpretado por Conrad Veidt em 1928.

O filme descreve não só a trajetória do artista, como também seu processo criativo, num verdadeiro mergulho no túnel do tempo. Vemos os desafios físicos, tanto para Pierce, quanto para os atores na concepção de sua arte - desde as intensas horas na cadeira de maquiagem até o desconforto e o peso de se carregar essa marca visual - apresentando mais que um maquiador, mas um escultor de rostos. Karloff, Chaney Jr., Lugosi são o mármore disforme, que nas mãos do Michelangelo da argila, tornam-se arte em pedra, ou nesse caso, em carne. Arte que cobra seu preço a quem se deixa esculpir, mas que o paga com devoção e legado.

Crítica | He Who Made Monsters - The life and art of Jack Pierce (2008)

Do processo criativo, somos confrontados por sua gênese: o Ator Lon Chaney, o grande pioneiro no segmento da maquiagem artística, o Mentor involuntário da arte de Pierce. Chaney, apesar de ser reconhecido mundialmente como o ator que deu vida a personagens icônicos como o Quasímodo em o Corcunda de Notre Dame, o Fantasma da Ópera, Blizzard em The Penalty ou mesmo o Palhaço Bofetada em Ironias da Sorte, é também o responsável pela criação visual de seus alter-egos através de seu processo meticuloso de auto-maquiagem. Processo esse, que inspiraria Pierce a ir além dentro do segmento e se tornar uma lenda, que tal como Chaney, influenciaria gerações a seguir.

Crítica | He Who Made Monsters - The life and art of Jack Pierce (2008)

O documentário que conta com relatos de diversos profissionais da área, em especial o maquiador Tom Savini - o criador do personagem Jason Vorhees - que descrevem a influência de Pierce para a escolha da profissão.

Um filme que contém o lado triste da ruína do próprio artista, que fora de responsável pelo departamento de maquiagem de toda a Universal, ainda sob a administração de Carl Laemmle a peça descartável para os cartolas do estúdio, que o demitiram sem qualquer peso ou respeito pela sua densa história construída. A sentença era categórica: Pierce era lento e sua arte não era mais rentável. Eles precisavam de efeitos rápidos, não de arte minuciosa. Porém, a maior vingança que Pierce poderia ter é o seu próprio legado que dança sobre os túmulos de seus algozes. Seu Monstro é o imaginário de Frankenstein até os dias de hoje, sua Múmia, é mais reconhecível que as saídas dos sarcófagos egípcios e os burocratas apodrecendo em caixões ornamentados, quem são? A história se lembra dos deuses e a poeira consome os reis.

Pierce, um imortal do cinema, teve em sua morte física o descanso em um fim de vida de ostracismo e pobreza. Onde fora abandonado pelo Estúdio que ajudou a popularizar e transformar em um gigante na Era de Ouro do segmento. Sua morte, não teve louros, marcha ou honrarias. Ele foi sepultado por sua própria criação e seu fantasma, ainda paira sobre sua eterna e majestosa obra.


Crítica | He Who Made Monsters - The life and art of Jack Pierce (2008) - por: Felipe "Dean Corso" Ribeiro

 
 

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