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Anaconda (2025)

Entre metacinema e risos


É instigante observar como determinados filmes optam por confrontar o próprio passado como estratégia de desenvolvimento narrativo e legitimação de suas histórias. Anaconda (2025) surge, nesse contexto, como um exemplo eloquente de como a inventividade pode revitalizar uma franquia aparentemente esgotada. A título de curiosidade, trata-se do sexto longa-metragem da série – ainda que, no imaginário coletivo, apenas o filme de 1997 costume ser lembrado. Tal fato torna ainda mais surpreendente a capacidade de uma saga considerada morta de despertar novamente o interesse do público e figurar entre as principais estreias do circuito cinematográfico.

Anaconda (2025) - crítica

Nesta nova incursão pelo mito do ofídio amazônico, um grupo de entusiastas do cinema viaja ao Brasil com o objetivo de realizar um filme sobre a cobra gigante. Curiosamente, a inspiração do projeto não reside exatamente na criatura em si, mas no longa de 1997. Nem mesmo as personagens conseguem definir com precisão a natureza da obra que pretendem realizar –  seria uma continuação, um spin-off, um sucessor espiritual, um remake ou uma reimaginação? A única certeza que os move é a condição de fãs de um clássico cult e a oportunidade, enfim, de materializar um desejo antigo.

A partir dessas premissas, torna-se evidente que estamos diante de uma obra que pode ser claramente compreendida como metacinematográfica. Anaconda reflete sobre o próprio cinema, tensionando as convenções narrativas e dramáticas que tradicionalmente separam o filme do espectador. A produção incorpora, inclusive, a feitura do longa original de 1997 como motor narrativo, chegando ao ponto de mencionar os atores do filme clássico por seus nomes profissionais, em um gesto deliberado de autoconsciência.

Anaconda (2025) - crítica

Essa reinvenção da franquia não apenas confere frescor à narrativa, como também permite que o filme se legitime a partir de sua própria história. Mais do que isso, abre espaço para a mescla de convenções de gêneros distintos. Evidentemente, o uso do metacinema não é uma novidade – trata-se de um recurso consolidado há décadas, fruto da evolução da linguagem cinematográfica. No entanto, não são raras as ocasiões em que tais abordagens soam artificiais ou carecem de sustentação dramática. Felizmente, esse não é o caso de Anaconda. Ao articular elementos do terror, da aventura e da comédia, o filme constrói uma experiência marcada por cenas leves, sustos pontuais e um amplo repertório de referências. O resultado é surpreendentemente equilibrado. O espectador não se preocupa em julgar a verossimilhança dos acontecimentos; aceita, sem resistência, o absurdo de uma obra que não pretende se levar excessivamente a sério. O efeito final é uma sucessão de risadas e uma experiência cinematográfica agradável, que deixa a plateia mais leve e satisfeita ao fim da sessão. Afinal, não é exatamente isso que, por vezes, buscamos ao ir ao cinema?


Crítica de Anaconda (2025) | por: Douglas Esteves Moutinho

 
 

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