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Avatar: Fogo e Cinzas (2025)

A reinvenção de Pandora

Avatar: Fogo e Cinzas (2025) - crítica

Avatar: Fogo e Cinzas (2025) concentra-se na família Sully diante de uma nova e inquietante ameaça: o violento Povo das Cinzas, uma tribo Na’vi beligerante liderada por Varang, cuja ambição por poder desencadeia não apenas um embate externo, mas também um profundo conflito moral e interno entre os próprios Na’vi. Em meio a esse cenário de instabilidade, Jake e Neytiri lutam para proteger seus filhos e assegurar o futuro de seu povo em Pandora, enquanto a presença humana volta a se reorganizar e a ganhar força.

O filme inaugura um novo paradigma narrativo dentro da franquia de James Cameron, distinguindo-se claramente dos dois capítulos anteriores. Se em Avatar e Avatar: O Caminho da Água predominava uma abordagem contemplativa, fortemente voltada à ambientação e à exploração visual – com longas sequências dedicadas a revelar as nuances dos cenários e a relação quase simbiótica dos personagens com o ecossistema de Pandora, Fogo e Cinzas adota um ritmo mais ágil e dinâmico. Aqui, o roteiro assume protagonismo, conduzindo uma trama repleta de reviravoltas, alianças improváveis e sequências de ação intensas.

Avatar: Fogo e Cinzas (2025) - crítica

A jornada que antes se assemelhava a uma experiência de exploração pausada, na qual a tela funcionava como uma ampla janela panorâmica para a contemplação, agora é orientada pelo encadeamento acelerado dos acontecimentos. Embora a narrativa permaneça linear, como nos filmes anteriores, instala-se uma sensação constante de urgência, marcada pela ação e pela reação imediata aos eventos.

Essa mudança de abordagem pode, naturalmente, causar certa frustração nos admiradores da experiência visual mais contemplativa que se tornou marca registrada da franquia. Contudo, tal perda é amplamente compensada pela maestria de Cameron na condução da ação, integrando de forma impressionante os atos dramáticos aos cenários, sem comprometer a imersão do espectador.

As razões por trás dessa escolha estilística não são totalmente claras. Pode tratar-se de uma tentativa deliberada de inovação, de uma resposta às críticas sobre o ritmo mais lento de O Caminho da Água ou, ainda, de mais um capítulo no contínuo experimentalismo tecnológico que caracteriza a obra recente do diretor. Em Fogo e Cinzas, cerca de 40% do filme – justamente as cenas de ação – foi filmado em 48 fps, evidenciando que o uso do HFR (high frame rate) não busca substituir o cinema tradicional, mas expandir suas possibilidades expressivas.

Em síntese, Avatar: Fogo e Cinzas representa um ponto de inflexão significativo na trajetória da franquia. Ao abandonar parcialmente a contemplação em favor de uma narrativa mais urgente e orientada pela ação, James Cameron demonstra disposição para reinventar o universo de Pandora sem abrir mão de sua grandiosidade. Ainda que essa escolha possa dividir o público, o filme se sustenta pela solidez do roteiro, pela complexidade dos conflitos apresentados e pelo domínio técnico do diretor. Fogo e Cinzas não apenas expande o imaginário da saga, mas reafirma Avatar como uma franquia em constante transformação, capaz de dialogar com diferentes sensibilidades sem perder sua identidade.


Crítica de Avatar: Fogo e Cinzas (2025) | por: Douglas Esteves Moutinho

 

 
 

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