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Crítica | Hollywood Handicap (1938)

  • 4 de mar.
  • 2 min de leitura

o crepúsculo de um deus


Hollywood Handicap foi dirigido por Buster Keaton e lançado em 1938, juntamente com Streamlined Swing e Life in Sometown U.S.A., como parte do fim de seu contrato com a MGM, para a confecção de curta-metragens exibidos em programas duplos de baixo orçamento. Esse ao menos, é um filme que carrega algum traço criativo de Buster, apesar de representar seu sepultamento criativo e midiático de inúmeras maneiras.

Crítica | Hollywood Handicap (1938)

O curta de pouco mais de 10 minutos, traz ao protagonismo o grupo Jazz single negro: The Original Sing Band, que estrelaria também, Streamlined Swing, o último filme dirigido por Keaton. O filme apesar de cair na problemática da narrativa apressada, entrega uma esquete que tem certo dinamismo e humor sob medida, que arranca risadas genuínas.

Registro estático da opulência Hollywoodiana no início da Era do Cinema falado, o filme é um testemunho da própria decadência de Keaton. De astro máximo ao lado de Chaplin, Loyd e Lon Chaney na Era Muda, a filmmaker do lazer dos novos Reis da montanha. Um reinado instável e incerto, cuja coroação e capitulação são feitas quase no mesmo plano. Keaton registrando um decadente Al Jolson reflete essa lógica punitiva de uma indústria letal.

Se a primeira metade do curta se digna a trazer comédia através das confusões protagonizadas pelo conjunto musical - desde vender seus instrumentos para comprar um cavalo de corrida, a performar emulando os sons dos mesmos - a segunda parte é um programa de variedades que apenas expõe as estrelas do cinema em meio ao luxo do turfe. As aparições especiais incluem Oliver Hardy - no auge de sua parceria com Stan Laurel em O Gordo e o Magro - Mickey Rooney - badaladíssimo pelo personagem Andy Hardy - Al Jolson - já em seu ocaso - e outros. E escancaram a certeza de que o cineasta por trás da câmera, não fazia mais parte do clube, tal como os rostos negros, rebaixados a mobília humana em uma demonstração de hierarquia racial e social. Para Keaton, a voz na sala de projeção, apagou seu rosto e o que vemos na tela, é a inscrição em sua lápide. Para os jovens negros, é o início de uma luta que segue até os dias de hoje.

O filme, como seria o trabalho seguinte de Keaton, dá voz a um grupo de músicos marginal em meio à política segregacionista, sob as Leis de Jim Crow. Como parte do esforço dos magnatas da MGM para confeccionar um filme barato, exótico e capaz de preencher uma lacuna mercadológica, eles inadvertidamente deram voz a um grupo excluído, criando um precedente que seria importante para lutas futuras. Um caso clássico de pioneirismo culposo, que desaguaria no filme seguinte.

Cinematograficamente, a análise acaba sendo tão precária quanto o conteúdo. Sem enquadramentos relevantes ou novidades trazidas a tela, o que vemos é o espetáculo do talento negro salvando um roteiro previsível de um "TV Fama" do início do Século XX. Além do testemunho audiovisual de como a indústria e seus barões lubrifica sua máquina de lucro com o suor e o sangue daqueles que são os verdadeiros Reis do Show.


Crítica | Hollywood Handicap (1938) - por: Felipe "Dean Corso" Ribeiro


 
 

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