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Crítica | Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021)

  • 14 de dez. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de mar.

Um recomeço que falha em inovar

 

Spiral: from the Book of Saw é um filme de 2021 dirigido por Darren Lynn Bousman do gênero terror e suspense, e que funciona como uma nova entrada para a franquia já consagrada Jogos Mortais, criada por James Wan e Leight Whannell, tendo estreado com o curta Saw (2003) e com o longa Jogos Mortais (2004).

Depois de um novo hiato, a franquia retorna com um nono filme, que como a maioria dos anteriores, não se encontra no mesmo nível do primeiro longa, que contava com uma montagem moderna que encaixava as peças do quebra-cabeças narrativo de forma muito interessante e um plot twist inesquecível. Depois do primeiro filme, as reviravoltas começaram a se tornar um pouco mais facilitadas e mirabolantes e o apelo de filme se tornou cada vez mais a violência das armadilhas. Embora vários elementos fílmicos foram ficando para trás ao longo da franquia, ela ainda manteve um ótimo nível de entretenimento para o público que gosta do cinema gore, respeitando, de certa forma, o legado do primeiro filme.

Crítica | Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021)

Há então o primeiro retorno da franquia. Jogos Mortais: Jigsaw é finalmente lançado em 2017, quase uma década depois do sétimo filme da franquia, que se estabelecia como a sua parte final. Jigsaw apresentou uma narrativa simples, esquecível e com armadilhas muito abaixo das anteriores, tanto na criatividade como na sanguinolência, decepcionando grande parte dos fãs da franquia.

Nesse cenário surge Espiral: o Legado de Jogos Mortais, trazendo um recomeço para a série e apresentando um novo serial killer. É o primeiro filme em que Tobin Bell, intérprete de John Kramer, o Jigsaw, não aparece além de em fotos. Isso somado ao fato do “mascote” do filme não ser mais o clássico boneco com as espirais na bochechas, dando lugar a um porco (que aparece frequentemente nos filmes anteriores como máscara) deixa clara a intenção da produção em continuar a franquia, mas respeitando um começo legítimo, se desvinculando em certos aspectos dos longas anteriores.

Crítica | Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021)

Como todos os filmes da franquia, Espiral também funciona como um bom entretenimento, trazendo certa ação, suspense, momentos de tensão e armadilhas que tentam fazer recordas as clássicas, embora o filme tenha falhado nesse aspecto. Apesar do longa contar com alguns facilitadores no roteiro, isso não atrapalha a experiência. Tais facilitadores sempre estiveram presentes na saga, o que é normal, tendo em vista que os filmes passaram a acompanhar diversos eixos narrativos e tais facilitações ajudaram a conectar esses eixos de forma bastante coerente. O problema aqui é que o filme inicial da nova fase já apresenta isso, diferentemente do filme de 2004. A direção de Bousmann segue o modelo já clássico dos filmes. A edição segue uma receita: a cada armadilha, a cena é iniciada com um superclose nos olhos da personagem que está a mercê dela; em seguida, alguns planos detalhe revelam características importantes do aparato no qual essa personagem está inserida; então, em um plano mais aberto, é revelado todo o cenário com a personagem dentro de todo o maquinismo que compõe a cena e a armadilhas; até que por fim o corte então é direcionado em close close para a “personagem narradora”, que formaliza as diretrizes e regras do jogo. Além disso, todo o filme prepara o espectador para o plot twist final, como também acontece em todos os longas da franquia.

Quanto a sequência propriamente dita, o filme não se estabelece como um “sucessor espiritual”, mas sim como uma continuação direta. Embora o filme tenha mudado o nome de Saw para Spiral, ainda mantém Saw no subtítulo; o assassino é estabelecido como um imitador de Jigsaw, que inclusive está presente em fotos; o porco, ainda que menos importante nos filmes anteriores, está presente. Dessa forma, se fazia necessária a presença (ou ao menos uma explicação) do sucessor de Jigsaw, Gordon, que ainda se encontrava vivo no sétimo filme.

Crítica | Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021)

No fundo, há uma confusão. O filme não se decide ser uma continuação ou não. Enquanto os símbolos são modificados, a estrutura narrativa e a forma do filme são as mesmas já vistas, inclusive apelando para um extremamente desnecessário fan service, na cena em que o personagem de Chris Rock acorda preso com algemas e com um serrote ao seu lado, remetendo ao primeiro filme. Nada acrescentou, pois aquilo nem era uma armadilha, se tornando completamente desnecessário, uma necessidade de causar certa nostalgia nos fãs. 

A questão crítica social sempre foi comum na franquia, muitas vezes abordando determinado tipo de hipocrisia. Tal acepção se faz presente também em Espiral, quando é abordada a questão da corrupção policial. O que particularmente me impressionou foi o filme não se utilizar de questões sociais que estão na moda para o seu roteiro. Pelo contrário, a crítica foi genuína e pertinente.

No montante, Espiral: o Legado de Jogos Mortais é um filme bastante interessante que agradará aos fãs antigos e novos espectadores. É um recomeço digno para a franquia, embora ela não se estabeleça como algo novo propriamente dito. É o típico mais do mesmo, mas como o mesmo é, ao menos, visualmente interessante, o filme se torna uma boa opção para quem gosta de suspense e terror.


Crítica | Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021) - por: Douglas Esteves Moutinho

 

 
 

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