Crítica | Destruição Final 2 (2026)
- 21 de fev.
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O colapso de uma sequência
Passados cinco anos após os eventos que devastaram grande parte do planeta Terra narrados em Destruição Final: O Último Refúgio, a sequência dirigida por Ric Roman Waugh surge como promessa de levar a aniquilação global a um patamar ainda mais extremo – ao menos é essa a impressão construída pelo marketing.
Sob perigos constantes de radiação, tsunamis, terremotos e erupções, John, vivendo com sua família em um bunker, precisa sobreviver às novas ameaças naturais crescentes e, após a destruição do abrigo, conduzir os seus até uma área supostamente segura na França, denominada “cratera”, onde o ecossistema permanece intacto.

Obviamente, em um cenário apocalíptico, a missão de atravessar o oceano e adentrar um novo continente configura-se como tarefa, no mínimo, ingrata. Talvez por essa dificuldade extrema, os roteiristas Mitchell LaFortune e Chris Sparling praticamente se erguem como entidades espirituais que guiam os passos e moldam o entorno de seus personagens protegidos, à maneira das antigas divindades gregas. Faltou pouco para que, assim como Paris diante do golpe fatal de Menelau, John e sua família fossem simplesmente transportados, por intervenção superior, até a cratera.
O chamado Deus Ex Machina, recurso já amplamente debatido na teoria do roteiro – e criticado por Robert McKee – tornou-se, na contemporaneidade, uma solução preguiçosa para o preenchimento de lacunas narrativas. Destruição Final 2 não recorre a esse artifício uma ou duas vezes, mas faz dele a própria espinha dorsal de sua progressão dramática. O cinema hollywoodiano manifesta frequentemente a tendência de menosprezar a inteligência do espectador, oferecendo quase a totalidade das respostas sem exigir qualquer elaboração interpretativa; contudo, aqui, esse menosprezo acompanha o público do primeiro ao último minuto.

Já passou da hora de o cinema norte-americano mainstream compreender que efeitos especiais não sustentam qualidade fílmica. Ao contrário, frequentemente evidenciam o quanto a produção se mostra aquém em qualquer aspecto que ultrapasse o domínio técnico e mecânico e alcance o campo criativo.
E isso é Destruição Final 2: 90 milhões de dólares investidos em um ensaio técnico. Em uma época na qual testemunhamos produções admiráveis realizadas com uma fração desse orçamento – como Godzilla Minus One, produzido com pouco mais de 10 milhões de dólares e vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Visuais –, soa quase constrangedor que cifra tão elevada resulte em obra de qualidade tão diminuta.
Crítica | Destruição Final 2 (2026) - por Douglas Esteves Moutinho


