Crítica | O Colosso de Rodes (1961)
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a construção de um colosso
Estreia de Sergio Leone na direção de um longa metragem, O Colosso de Rodes de 1961 é uma adaptação livre que aborda o evento geológico que destruiu a colossal Estátua do deus Hélio, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, obra essa mais conhecida pelo nome que dá título ao filme.

Em sua estreia como diretor, Leone ousa pouco, apoiando-se no modelo consagrado que ditou o estilo dos épicos italianos, conhecidos como Peplum, difundidos principalmente pelo ator estadunidense Steve Reeves, o Hércules dos filmes "espada e sandália" da terra da bota.
Apesar da pouca ousadia, é inegável que o resultado final é extremamente coerente, dada a proposta em torno do longa e ele é sim, muito bem feito. O que torna injusta a comparação com obras naquela época vindouras - como Era uma vez no Oeste, Era uma vez na América e principalmente Três homens em conflito - principalmente levando em consideração a autonomia criativa conquistada através da consolidação de seu nome no cenário cinematográfico italiano.
O filme costura a tragédia do Colosso e da própria Ilha de Rodes, juntamente com uma fictícia trama conspiratória fenícia e um herói ateniense - Dario, interpretado por Rory Calhoun - catapultado para o centro de um golpe de Estado e compelido a agir em defesa do povo local. Dado o elemento político e as batalhas que tomam a maior parte da jornada - focada no desenvolvimento do herói - a tragédia em si, torna-se um elemento de apoio à construção dramática, não o foco da história, o que o difere de um épico biográfico.
Aqui, as coreografias de batalha são interessantes, embora como parte do estilo, com movimentos exagerados e até mesmo cômicos, principalmente em cenas de morte - as provocadas por flechas ou facas, com gritos e saltos exagerados, tornam a experiência peculiar. Há também o reforço da virilidade, heróis "testosterona man" - como Reeves em seus filmes - troca de planos para captar o movimento da batalha e obviamente, um romance de idas e vindas incluso no pacote.
O grande trunfo do longa é a utilização do espaço físico, nesse caso as locações na Espanha, principalmente em Laredo, recriando a Ilha de Rodes e obviamente, os efeitos visuais que recriaram - com algumas liberdades - o Colosso de Rodes. A utilização de miniaturas para as Panorâmicas e do Matte painting - um estilo de pintura em vidro - para as cenas em live-action, criando a ilusão de uma estrutura montada em cenário externo. Um trunfo em um período de recursos técnicos escassos. Uma demonstração de perspicácia da equipe de direção de arte em ressonância com o trabalho do diretor.
A utilização de um cenário móvel, montado para ir abaixo na sequência final é extremamente bem aproveitado, de modo que a recriação da atividade sísmica se mostra convincente para os padrões da época.
Mergulhando em clichés do estilo e época e de trilha que reforça o heroísmo, o filme entrega um bom entretenimento com doses homeopáticas de cinema. Ainda era pouco? Sim! Mas podemos apreciar um Leone desbravador ainda em busca do Santo Graal, que se tornaria seu estilo único.
Crítica | O Colosso de Rodes (1961) - por: Felipe "Dean Corso" Ribeiro


