top of page

Crítica | Toy Story 5 (2026) - a infância diante das telas e o desafio de continuar imaginando

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Uma franquia que cresceu com seu público


A grande força de Toy Story sempre esteve em transformar brinquedos em metáforas sobre algo muito maior: abandono, mudança, envelhecimento e a necessidade de encontrar um novo propósito. Ao longo de quase trinta anos, a franquia cresceu junto com seu público, e talvez o maior desafio de Toy Story 5 fosse justamente encontrar um novo conflito que justificasse sua existência.


Crítica | Toy Story 5 (2026) - capa wallpaper

A infância na era digital


O filme acerta ao perceber que a infância mudou. Diferente de algumas abordagens mais nostálgicas da franquia, o novo capítulo olha para uma questão contemporânea: como as crianças se relacionam com a tecnologia e com o mundo digital.

O dispositivo Lily Pad representa essa transformação. O conflito não está apenas em brinquedos antigos contra uma novidade tecnológica, mas em uma mudança cultural mais ampla. A brincadeira física, baseada na imaginação, passa a disputar espaço com experiências digitais prontas e aceleradas.

Crítica | Toy Story 5 (2026) - Lily Pad tela de abertura Let's Play


Uma visão otimista demais da tecnologia


Nesse ponto, Toy Story 5 encontra um debate bastante relevante. O filme tenta fugir da ideia de que a tecnologia é simplesmente uma vilã, mas talvez seja justamente aí que ele se mostra ingênuo.

O excesso de telas e a dependência de dispositivos digitais têm impactos claros no desenvolvimento infantil, afetando atenção, socialização, criatividade e a própria forma como crianças constroem relações. Ao tratar a tecnologia como algo que pode ser facilmente equilibrado com a imaginação tradicional, o filme suaviza um problema que na realidade é muito mais complexo.

Ainda assim, a escolha temática é uma evolução em relação ao filme anterior. Toy Story 4 trabalhava questões interessantes sobre identidade e propósito, mas sua discussão sobre o que define um brinquedo parecia mais abstrata. Aqui, a franquia encontra um conflito mais conectado ao presente.


Crítica | Toy Story 5 (2026) - Bonnie triste com Lily Pad

Jessie assume o protagonismo


A decisão de colocar Jessie como protagonista também é um dos maiores acertos. A personagem sempre teve uma relação profunda com o medo de ser abandonada, e seu arco funciona como uma extensão natural de tudo que a franquia construiu.

Jessie não representa apenas um brinquedo antigo tentando sobreviver; ela representa qualquer pessoa que sente que seu espaço está sendo ocupado por algo novo.


O auge técnico da Pixar


Tecnicamente, o filme impressiona. A Pixar continua em um nível absurdo de acabamento visual, e a atenção aos detalhes no design dos personagens mostra uma evolução que poucos estúdios conseguem alcançar. É uma das animações visualmente mais refinadas já produzidas pelo estúdio.


Crítica | Toy Story 5 (2026) - Buzz e Woody

Menos marcante do que seus melhores momentos


Também há uma sensação de que Toy Story 5 não alcança o mesmo grau de originalidade e impacto emocional de algumas entradas anteriores da franquia. Ele funciona bem como reflexão sobre o presente, mas não possui a mesma capacidade de surpreender ou emocionar profundamente.


Ainda há algo a dizer


No fim, Toy Story 5 talvez não seja o capítulo mais marcante da série, mas é um dos mais conscientes sobre o momento histórico em que existe. O filme entende que brinquedos nunca foram realmente sobre brinquedos: sempre foram sobre as pessoas que precisam deles.


Leituras relacionadas



Crítica | Toy Story 5 (2026) - a infância diante das telas e o desafio de continuar imaginando | por: Douglas Esteves Moutinho


 
 

Deixe seu e-mail para acompanhar as novidades!

© 2022 Perfil Cinéfilo: curso de cinema, crítica cinematográfica, curso de história do cinema

  • Instagram
  • Lattes
bottom of page